domingo, 1 de novembro de 2009

Neurofibroma

São tumores comuns, constituídos por células de Schwann, fibroblastos e células perineuriais. Ocorrem esporadicamente como nódulos solitários não associados com nenhuma síndrome ou, menos freqüentemente, em indivíduos com NF1, como nódulos solitários, múltiplos ou numerosos. Neurofibromas múltiplos são típicos da NF1 (Neurofibromatose tipo 1).
A apresentação mais comum do neurofibroma é como nódulo cutâneo (neurofibroma cutâneo localizado).
Menos comumente, como uma massa circunscrita em um nervo periférico (neurofibroma intraneural localizado), ou como crescimento difuso de um tronco nervoso maior ou de vários nervos próximos (neurofibroma plexiforme).
Ainda menos comum é envolvimento de pele e tecido subcutâneo (neurofibroma cutâneo difuso) ou comprometimento maciço dos tecidos moles de uma determinada área do corpo (gigantismo localizado ou elefantíase neuromatosa).
Neurofibromas ocasionalmente envolvem raízes espinais, mas são praticamente desconhecidos em raízes de nervos cranianos, mesmo na NF1.
Os neurofibromas apresentam-se como massas indolores. Quando múltiplos, são a principal manifestação da NF1, associados aos outros estigmas desta (manchas café com leite, sardas axilares, etc.).
Macroscopia: Neurofibromas cutâneos são circunscritos e podem ser sésseis ou polipóides. Podem ser difusos, envolvendo pele e subcutâneo. Os de nervos são fusiformes. Os neurofibromas plexiformes são lesões alongadas e multinodulares, que envolvem múltiplos troncos nervosos de um plexo (podem dar aspecto 'de saco de vermes') ou múltiplos fascículos de um grande nervo, como o ciático, tomando aspecto de corda. Um paciente com neurofibromas plexiformes muito provavelmente é portador de NF1. Envolvimento de raízes espinais por neurofibromas é raro fora de NF1. Na NF1 são freqüentemente múltiplos. A região mais afetada é a cervical. O tumor produz expansão das porções intra- e extradurais da raiz, freqüentemente é translúcido e brilhante, devido à matriz mucinosa. Podem ser assintomáticos.
Microscopia: Neurofibromas e schwannomas correspondem histologicamente a grau I na classificação da OMS. O tumor é constituído por células de Schwann, fibroblastos e células perineuriais. As células tumorais são alongadas e formam feixes, mas em geral o arranjo é mais frouxo que nas áreas Antoni A dos schwannomas. Ao contrário dos schwannomas, no neurofibroma as células permeiam entre, e separam os axônios do nervo de origem. Não raro, porém, não é possível demonstrar axônios no neurofibroma usando imunohistoquímica para neurofilamento (NF).
Diagnóstico diferencial entre schwannomas e neurofibromas: Schwannomas devem ser distintos dos neurofibromas do tipo intraneural localizado.
Os schwannomas apresentam-se como massas bem delimitadas e excêntricas em relação ao nervo de origem. Fascículos remanescentes situam-se na superfície do tumor. São circundados por cápsula colágena e tendem a formar cistos e sofrer alteração xantomatosa. Outras alterações comuns são a hialinização de vasos e depósitos de hemossiderina. Pleomorfismo nuclear, hialinização do tumor e diminuição da celularidade são mais comuns em tumores de longa duração (schwannomas anciãos) ou nos tumores muito grandes.
Já os neurofibromas do tipo intraneural localizado produzem expansão simétrica fusiforme do nervo, sua cápsula é delicada, têm textura mucóide e são translúcidos ao corte. Os axônios do nervo de origem são dispersos por todo o tumor ou se concentram na sua parte central. A facilidade em identificar axônios é inversamente proporcional ao tamanho do tumor. Axônios muito dispersos podem ser de difícil identificação, particularmente em cortes transversais. Quando mielinizados, os axônios podem ser salientados por tricrômico de Masson ou luxol fast blue. Pode-se também usar IH para neurofilamento.
Ao contrário dos schwannomas, que são formados somente por células de Schwann, os neurofibromas consistem de células de Schwann desorganizadas e dispersas, fibroblastos e células do tipo perineurial em uma matriz de fibras colágenas e substância mucóide ou mixóide (mucopolissacárides) que pode ser positiva para Alcian blue. A reatividade para proteína S-100 não é uniforme, visto que só ocorre nas células de Schwann.
Neurofibromas originados em pequenos nervos tendem a espalhar-se difusamente aos tecidos vizinhos como a derme e tecidos moles, sem haver propriamente uma cápsula. Neurofibromas maiores freqüentemente contêm estruturas semelhantes a corpúsculos tácteis (corpúsculos de Wagner-Meissner) e podem conter células melanóticas. Ao contrário dos schwannomas, os vasos sanguíneos de neurofibromas geralmente não mostram hialinização.
Tumores com padrões mistos de schwannoma e neurofibroma são conhecidos, particularmente na NF1.
Genética: Cerca de 2/3 dos neurofibromas são diplóides e 1/3 aneuplóides. Ainda não é claro se neurofibromas são mono- ou policlonais em virtude de sua heterogeneidade celular. Estudos recentes sugerem que neurofibromas associados a NF1 são monoclonais. Como os neurofibromas esporádicos são histologicamente idênticos aos da NF1, é possível que o mesmo seja verdadeiro para estes, mas ainda não há confirmação.
Pacientes com NF1 têm perda de um dos alelos do gene NF1 na linhagem germinativa e há deleção ou inativação do alelo remanescente nos neurofibromas (confirmando a two-hit hypothesis, como nos retinoblastomas). Nos neurofibromas esporádicos a situação ainda não está clara.
O gene NF1 está envolvido na gênese dos tumores malignos de bainha de nervo (MPNST). Os neurofibromas plexiformes e de grandes troncos nervosos são os principais precursores destes tumores altamente agressivos. Transformação maligna, porém, é rara nos outros tipos de neurofibroma.

Fonte: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia/textoneurofibroma.html

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