sexta-feira, 1 de maio de 2009

DEZ 2007 - Parte II - Formatura Pré Escola

Formatura do Vitor na pré escola. Ele representou um carrinho...

Com os amiguinhos

Recebendo o certificado da prof. Tanise

Neste dia, fazia pouco mais de uma semana que havíamos recebido o diagnóstico do Tumor Cerebral do Vitor... Era tudo muito incerto...O Vitor e seus amiguinhos cantaram e encenaram no dia da formatura da pré escola. Lembro que fiquei na galeria, tirando fotos e filmando. Estava muito emotiva. Qualquer coisa era motivo de eu me derramar em lágrimas. Eu ficava pensando: "Será que não vou ver meu filho crescer?"Pensava na impossibilidade de vê-lo no ensino médio, depois na faculdade. Na formatura da universidade... No seu casamento...

Ele representou um "carrinho". Como estava lindo! Não tinha noção alguma do que tinha... Foi Deus quem nos deu forças pra suportar momentos como este...

Nas minhas buscas, havia encontrado uma reportagem na Revista "Você S.A." de uma entrevista com o neurocirurgião Dr. Marcos Stávale, que contava um pocuo sobre sua profissão e o seu dia-a-dia. Ele relatava que uma das cirurgias mais complexa que já havia realizado fora a de um garotinho de 5 anos com um tumor no bulbo...
Eis o que lemos na reportagem de Mariana Lemann, cujo título é "Concentração Máxima":

"Para lidar com os riscos da profissão, o neurocirurgião Marcos Stávale combina técnica e delicadeza

O resultado de um dia de trabalho de Marcos Stávale, 41 anos, 16 de profissão, pode ser uma vida salva. Neurocirurgião, ele comanda uma equipe de oito pessoas e opera em dois dos maiores hospitais privados do país, em São Paulo. Seu trabalho implica uma pressão psicológica brutal. Poucos procedimentos na medicina podem ser tão invasivos. Quando se trata de neurocirurgia, a mais simples das operações torna-se complexa, pois mexe com o cérebro, centro de controle das funções vitais. "O neurocirurgião vira, mesmo, o principal responsável pela vida de quem o procurou", diz Stávale.

Planejamento estratégico

Durante uma operação desse tipo, a noção do tempo desaparece. Horas e horas se passam sob concentração absoluta. Autocontrole é indispensável. "Não se admite um neurocirurgião que não consiga controlar a própria tensão", diz Stávale. As cirurgias podem acontecer às pressas, mas nunca com pressa. Há casos em que, de tão delicadas, levam 10, 17, até 20 horas para terminar. Com a ajuda de técnicas avançadas de anestesia, os médicos podem operar sem se preocupar com o relógio. Pelo menos seis pessoas estão sempre na sala, mas a equipe pode ter até dez profissionais que se revezam.
Surpresas são raras. Tudo é planejado antes; todos os riscos são exaustivamente calculados. Stávale é exigente com a equipe, mas diz que não precisa de muito para se fazer entender. "Nossa relação é hierárquica, mas afável, mesmo nos momentos em que é necessário criar um estado de alerta máximo no ambiente. Somos realmente amigos", diz. Os procedimentos cirúrgicos são realizados por etapas. Geralmente um grupo de profissionais cuida da abertura craniana; outro realiza a parte microcirúrgica, e os colegas se revezam na hora de fechar o corte. Segundo Stávale, o que parece mais assustador -- a abertura craniana -- é, na realidade, a tarefa mais simples. Com uma broca que pára automaticamente quando encontra um tecido diferente do osso, a região que será operada fica exposta. O complicado é localizar coágulos ou tumores, muitas vezes minúsculos e inacessíveis -- e, se for o caso, ter de decidir que tipo de tecido nervoso ficará comprometido.

O risco como única opção

Stávale e equipe se viram numa encruzilhada desse tipo quando tiveram de operar uma criança de 5 anos com um tumor de tronco cerebral, estrutura de conexão por onde passam os estímulos nervosos para sentir e expressar movimentos e pensamentos. Sem a remoção do tumor, o pequeno paciente não sobreviveria. Para retirá-lo, o médico precisou invadir o bulbo, uma estrutura nobre que fica do lado dos centros nervosos que controlam a atividade cardiorrespiratória. Ao serem tocados, os tecidos nervosos do bulbo podem alterar a pressão arterial e os batimentos do coração, podendo causar até uma parada cardíaca. O risco iminente de uma lesão irreversível e até de morte acompanhou Stávale durante as dez horas de cirurgia. Nada disso aconteceu e, hoje, a criança leva uma vida saudável.
O sucesso dessa cirurgia -- e de tantas outras realizadas por Stávale -- aconteceu em boa parte por causa do planejamento estratégico do tratamento. Stávale é um tipo de médico que realmente se envolve com o paciente. Ele acredita que uma relação clara e honesta é a base para um bom plano de ataque à doença. "Sentir a dor do paciente não faz mal ao médico", acredita. "Quando você participa e troca com ele informações sobre medos e ansiedades de ambas as partes, muitos fantasmas se desfazem. O envolvimento afetivo só traz benefícios", diz o médico, que, pela ampla convivência com pacientes, já se tornou amigo de muitos deles.

Urgência máxima

Mas nem sempre é possível planejar o tratamento. Quando o paciente é vítima de um trauma, o socorro deve ser imediato. Numa dessas ocasiões, Stávale teve de começar a cirurgia ainda na sala de admissão do hospital. Um soldado chegou com a cabeça dilacerada por causa de um tiro de fuzil. Com o impacto, parte do cérebro havia sido arrancada. O sangramento era tão intenso que nada podia ser feito antes de controlá-lo. A equipe, então, comprimiu as veias com as mãos (para encarar uma situação desse tipo, é preciso ter atos automatizados e tomar providências rapidamente) e, só depois de fechá-las, encaminhou o paciente para o centro cirúrgico. Nessa luta de minutos contra a morte, no entanto, a equipe foi vencida. O paciente morreu algumas horas depois da operação.
Salvar alguém é um poder incrível. Mas a vida impõe limites. Quando, apesar de todo o esforço, Stávale se depara com eles, sua maior preocupação é a família do paciente. "Pela minha própria história de vida, a primeira coisa que passa na cabeça é a tristeza de quem fica", diz o médico, que já sentiu na pele a dor de quem está do outro lado. Stávale viu a morte de perto quando teve uma embolia pulmonar, aos 34 anos. Essa mesma doença causou a morte precoce de seu pai, aos 43 anos. Ele era o mais velho de seis filhos e estava com 18 anos. Sua mãe faleceu, dois anos atrás, aos 59 anos, vítima de um câncer de mama.

Autoconfiança e humildade

Para lidar com tamanha carga emocional, Stávale se apóia também na religião. "Com o suporte da fé, parece que o sofrimento torna-se menos doloroso", acredita. O aspecto heróico da profissão de neurocirurgião pode conduzir o médico a uma sensação de poder, algo natural no comportamento humano. Mas o combate dessa sensação é fundamental. "Ela é sempre perigosa, pois pode levar o médico a achar que é absoluto, comprometendo seu raciocínio", diz Stávale. Com a experiência, ele aprendeu que a humildade é a melhor arma para não se enganar. Conhecer os próprios limites o ajuda a não assumir responsabilidades quando não está preparado. Quando sabe que não pode realizar o melhor trabalho, ele não hesita em indicar um profissional mais capacitado. Na opinião do neurocirurgião, o autoconhecimento é imprescindível para os profissionais que assumem grandes responsabilidades. "Nós não somos grandes icebergs, como muitos pensam. O neurocirurgião pode ter a imagem de onipotente, mas ele também fica doente, tem problemas e precisa de apoio."

Controle e delicadeza nas mãos

Uma das neurocirurgias mais delicadas é a do aneurisma cerebral. Trata-se de um pequeno saquinho de sangue que cresce na parede das artérias e pode sangrar causando lesões neurológicas graves. A operação consiste na colocação de um clipe metálico que fecha o saquinho. Um deslize milimétrico da mão pode causar um sangramento fatal. Para o cirurgião, esse é um dos momentos mais estressantes. Pesquisas científicas já mediram algumas funções do organismo do médico nesse momento. Quando ele se aproxima do aneurisma, sua pressão e seus batimentos cardíacos aumentam e só voltam ao normal depois que ele clipa a bolha de sangue. Mesmo quando o aneurisma é muito pequeno, ele pode ser muito perigoso. Foi o que aconteceu com o escritor Ignácio de Loyola Brandão, operado por Stávale. No livro Veia Bailarina, um relato auto-biográfico, Loyola fala da descoberta da doença, de suas ansiedades, do medo da morte e da cirurgia. É por isso que toda a equipe precisa entrar na sala de cirurgia com um bom condicionamento físico e extremo equilíbrio emocional. As operações são realizadas utilizando-se apenas a luz do microscópio. O ambiente à meia-luz serve para dar maior contraste à imagem de estruturas tão pequenas e para proporcionar um clima de serenidade.
Exercícios moderados diariamente e uma alimentação balanceada fazem parte da rotina de Stávale. Na preparação para uma cirurgia, ele se comporta como se estivesse numa concentração esportiva. Planeja o procedimento com antecedência, descansa nos dias que o antecedem, dorme cedo na véspera e vai para o centro cirúrgico na manhã seguinte evitando qualquer contato com problemas da vida cotidiana. Numa atividade de tanto risco, pressão e situações-limite, estabeleceu a calma e o carinho como seus instrumentos de trabalho. "Acredito que as pessoas devam fazer poucas coisas, mas muito bem-feitas", diz. Como Stávale se refaz de uma longa cirurgia? Reabastecendo-se de afeto na companhia das filhas Marina e Isabela, de 10 e 4 anos, respectivamente. "

Ao terminarmos de ler a matéria acima, eu e meu marido nos abraçamos e choramos emocionados ... "Este" seria o neurocirurgião que operaria o Vitor. No dia seguinte descobrimos que ele atendia no Hospital Albert Einstein e também no Hospital Sirio Libanês.Nossa amiga Márcia Mello nos auxiliou bastante, conseguindo o contato com o Dr. Marcos e falamos diretamente com ele. Fomos no mesmo dia ao seu consultório no Hospital Sírio Libanês. Chegando lá, enquanto aguardávamos na sala de espera, chegou uma família composta por uma mãe, 2 filhos e 1 filha. A moça de uns 20 e poucos anos era linda... A m]ae perguntou pelo Dr. Márcos à secretário e disse que estavam ali somente para dar um braço no Dr. Marcos... Diz pra ele que é a mãe da “Melina”, que ele irá se lembrar...

Então ficamos sabendo da história da Melina...Alguns anos antes, ela havia passado por 5 neuro-cirurgiões, que haviam dado seu caso como perdido... Ninguém havia se arriscado a assumir, pois por causa de um tumor, corria sérios riscos de ficar surda, muda e sem visão. A família é da Região de Ribeirão Preto e ficaram sabendo do Dr. Marcos Stávale. Vieram pra São Paulo, a cirurgia foi realizada no Hopital Albert Einstein e agora ela levava uma vida perfeitamente normal, sem algum dano ou seqüela. Com aquele relado na sala de espera, comecei a chorar e disse ao meu marido: “Um dia ainda iremos fazer a mesma coisa que eles estão fazendo... Voltaremos aqui pra agradecer o anjo que Deus está designando para salvar a vida do nosso filho”. Sentimos que aquele incidente era um sinal dos céus!

Ao nos atender, mesmo sem saber se tínhamos condição de paga-lo, disse que operaria o Vitor e já foi fazendo o pedido de internação... Mas para que o Dr. Marcos Stávale pudesse realizar a cirurgia, precisávamos encontrar um Hospital com recursos e uma boa UTI. Meu marido foi até o plano e alterou nossa categoria para um plano superior, só que as carências para estes hospitais que teríamos a mais, seria de 6 meses e venceria dia 06/06/08. Quanto aos honorários, como o Dr. Marcos e sua equipe não atendiam nenhum convênio, seria toda particular. Mas ele sensibilizou-se com a situação e disse que não cobraria o mesmo valor... Vendemos um consórcio de imóveis que pagávamos a 4 anos e levantamos parte dos honorários que uma equipe de primeira linha costuma cobrar por cirurgias deste porte. Mas precisávamos encontrar um Hospital. Perguntamos ao Dr. Marcos se daria pra esperar até JUN 08, época que venceria nosas carências...


Ele se reuniu com o neuro-radiologista e o neuro-cardiologista do Einstein e chegaram à conclusão que, pelas imagens, aparentava ser um “astrocitoma pilocítico” , grau I, benigno, diferentemente do que achava o radiologista que realizou o exame de ressonância pelo convênio, que colocou como hipótese diagnóstica “astrocitoma de baixo grau”, que seria o grau II, maligno(baixo grau de malignidade)... Nesse tipo de cirurgia não dá para se prever quantos dias de UTI serão necessários e a conta total num hospital como o Einstein ou o Sírio Libanês poderia chegar a cifras altíssimas. Poderíamos vender nossa casa, mas isso não aconteceria de um dia para outro. Havia outros hospitais como segunda opção, como o Nove de Julho, Santa Catarina ou São Luiz, mas teríamos cobertura pelo plano nestes hospitais somente em JUN/08. O Dr. Marcos Stávale ficou de tentar conseguir o Hospital Albert Einstein, pra que a cirurgia fosse realizada o quanto antes. Caso ele não conseguisse o Einstein, seria pelo convênio, só que após o cumprimento das carências.

No nosso convênio daquele momento (sem as alterações para uma categoria superior), todas as carências já estavam cumpridas, mas não sentimos segurança em operá-lo pelo plano...O que mais nos deixava preocupados, era a incerteza com relação ao tipo de tumor. Só saberíamos o tipo exato após a cirurgia, com a realização do exame anátomo-patológico. E no laudo estava escrito também ”com foco hemorrágico”...

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