domingo, 3 de maio de 2009

Cogumelos - Estudos Científicos

EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DIETÉTICA COM COGUMELOS AGARICALES E OUTROS FUNGOS MEDICINAIS NA TERAPIA CONTRA O CÂNCER

RESUMO

Os cogumelos Agaricales têm sido utilizados, durante milênios, devido aos seus componentes biologicamente ativos que exercem efeitos nutricionais, medicinais e farmacológicos imprescindíveis para os portadores de diversos tipos de câncer. O objetivo deste estudo foi revisar os artigos indexados nas bases de dados Medline, Lilacs, NCBI, Capes, Scielo e Cochrane, que avaliaram os efeitos da suplementação dietética com cogumelos Agaricales e outros fungos medicinais na terapia contra o câncer.

Palavras-Chave: Agaricales, Cogumelos medicinais, Neoplasias, Suplementação dietética.

INTRODUÇÃO

O câncer, resultado do acúmulo de mutações seqüenciais múltiplas e alterações moleculares que culminam com metástases1, é a segunda principal causa de mortalidade no Brasil2. Na França, o câncer é a maior causa de óbitos em homens e mulheres, entre 35 a 64 anos, sendo responsável por cerca de 150 mil mortes por ano3. Nos Estados Unidos, estatísticas sugerem que, aproximadamente, 30% dos norte-americanos desenvolverão câncer durante toda a vida, sendo que, destes, dois terços morrerão em virtude dessa doença4. Estimativas para o ano de 2006 indicam que ocorrerão, no Brasil, 472.050 casos novos de câncer, esperando-se 234.570 casos novos para o sexo masculino e 237.480 para o sexo feminino. Dados estatísticos apontam que o câncer de pele não-melanoma será o mais incidente na população brasileira (116 mil casos novos), seguido pelos tumores da mama (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil), colorretal (25 mil), gástrico (23 mil) e colo do útero (19 mil)5. O desenvolvimento do câncer resulta da interação entre fatores endógenos e ambientais6. Cerca de 35% dos diversos tipos de câncer ocorrem em decorrência de dietas inadequadas7, caracterizadas pelo alto teor de gordura saturada, colesterol e açúcares e baixo aporte de verduras, frutas, legumes e cereais integrais8. Tabagismo, obesidade, pouca atividade física, exposição a determinados tipos de vírus, bactérias, parasitas, além do contato freqüente com substâncias carcinogênicas também merecem ser destacados7. Os tumores malignos, articularmente aqueles cujo crescimento é lento, levam maior tempo para serem diagnosticados, promovendo, conseqüentemente, alterações catabólicas extenuantes no hospedeiro, culminando com a caquexia8.
A caquexia, desnutrição em portadores de câncer, apresenta uma incidência entre 30 e 50% dos casos, podendo estar associada ao aumento da morbimortalidade pós-operatória e menor tolerância aos procedimentos quimioterápicos, radioterápicos e cirúrgicos9. O interesse no uso dos cogumelos e/ou de seus extratos como suplementos dietéticos vem crescendo anticarcinogênicos, antivirais, antiinflamatórios, hipoglicemiantes, hipocolesterolêmicos, hipotensivos10, entre outros, podendo ser indicados como coadjuvantes no tratamento das neoplasias malignas8. Considerando-se a relevância do tema, este estudo teve como objetivo principal investigar na literatura os efeitos nutricionais e farmacológicos dos cogumelos Agaricales e outros fungos medicinais na terapia contra o câncer.

METODOLOGIA

O presente artigo consiste em uma revisão crítica, sobre o tema, de artigos publicados principalmente em revistas indexadas nas bases de dados Medline, Lilacs, NCBI, Capes, Scielo e Cochrane, com ênfase nos últimos dez anos, nos idiomas inglês, espanhol e português, utilizando-se os termos Agaricales, cogumelos medicinais, câncer e suplementação dietética. Foram selecionados estudos experimentais em animais e ensaios clínicos randomizados, controlados, duplo-cegos, seguidos de tratamento estatístico com significância de P < color="#ff0000" size="4">ALTERAÇÕES METABÓLICAS NO CÂNCER

O comprometimento do estado nutricional nos pacientes com câncer está intimamente relacionado a índices elevados de morbimortalidade. Além da redução da ingestão protéico-calórica decorrente da diminuição do apetite, alterações do paladar ou comprometimento das funções orgânicas, diversas alterações metabólicas contribuem para o desenvolvimento da caquexia observada nesses pacientes11.
As principais alterações metabólicas induzidas pelos tumores avançados incluem intolerância à glicose, redução da secreção de insulina, resistência periférica à insulina, aumento na síntese e no turn over de glicose, maior atividade do ciclo de Cori, aumento do turn over protéico, aumento na síntese hepática de proteínas, aumento no catabolismo protéico muscular, redução plasmática da concentração de aminoácidos ramificados, depleção dos depósitos lipídicos, aumento da lipólise, aumento do turn over de glicerol e ácidos graxos livres, redução da lipogênese e hiperlipidemia11. Os mecanismos gerais relacionados ao processo de carcinogênese envolvem a secreção de citocinas, hormônios reguladores e contra-reguladores. As principais citocinas e hormônios que participam desse processo são fatores de necrose tumoral (TNF-á), interleucina 1 (IL-1), interleucina 2 (IL-2), interleucina 6 (IL-6), interferon gama (ITF-ã), glucagon, cortisol, catecolaminas e hormônio de crescimento11,12. A serotonina, leptina, fator de mobilização lipídica, fator de mobilização protéica também estão envolvidos no processo relacionado à caquexia do câncer através de diversas atividades biológicas12. Além dessas alterações, o próprio tratamento convencional do câncer exibe diversos graus de desnutrição, devido às complicações e/ou efeitos colaterais como diarréia, náuseas, vômitos, mucosites e anorexia, diminuindo significativamente a absorção dos nutrientes, tornando o paciente cada vez mais susceptível às infecções13.

PROCESSO DE FORMAÇÃO DO CÂNCER E ATUAÇÃO DOS FATORES DIETÉTICOS NOS ESTÁGIOS DE CARCINOGÊNESE

O processo de carcinogênese pode ser dividido em três estágios: iniciação, promoção e progressão. A fase de iniciação envolve a exposição aos carcinógenos e danos nas moléculas de DNA. Na fase de promoção, os promotores tumorais ou mitógenos ativos induzem a expansão clonal das células iniciadas. Na fase de progressão, as células alteradas desenvolvem modificações irreversíveis, resultando na proliferação descontrolada de células cancerosas1,14. A dieta adequada exerce um papel crucial nos estágios de iniciação, promoção e progressão do câncer, podendo prevenir de três a quatro milhões de casos novos de câncer a cada ano7. Determinados fungos medicinais contêm componentes capazes de modular a tumorigênese e carcinogênese nos diferentes estágios da doença e/ou agir em um mesmo estágio através de diferentes mecanismos, exercendo, dessa forma, efeitos benéficos na prevenção e no tratamento do câncer14.

PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS DOS COGUMELOS AGARICALES E OUTROS FUNGOS MEDICINAIS

Os cogumelos eram conhecidos pela humanidade pré-histórica por suas propriedades nutricionais e medicinais, além da toxicidade de algumas espécies. Atualmente, o consumo dos cogumelos continua sendo bastante apreciado em distintas culturas devido às suas características organolépticas15. Existem, no mínimo, 10.000 espécies de cogumelos, sendo 700 comestíveis, 50 a 200 medicinais e 50 venenosas8.
A ordem Agaricales, família Agaricaceae, é uma das mais numerosas, importantes e estudadas, devido às suas propriedades farmacológicas, inclusive as do gênero Agaricus, porém também possui algumas espécies tóxicas (amanitinas) e alucinógenas (alcalóides psilocibinas)15. As quatro espécies da ordem Agaricales que mais se destacam na indústria de alimentos, devido ao elevado cultivo, são Agaricus bisporus ou champignon de Paris, Lentinus edodes ou shiitake, Pleurotus ostreatus ou cogumelo ostra e Volvariella volvaceae ou fukurotake15. No Brasil, os cogumelos de interesse comercial são encontrados nas seguintes espécies: Agaricus bisporus, Lentinus edodes, Pleurotus ostreatus, Agaricus blaze16, Agaricus brasiliensis17 e Agaricus sylvaticus, que possuem diferenças no genótipo ou ainda no fenótipo das espécies18.
Os cogumelos são considerados alimentos nutracêuticos, apresentando excelente eficácia quando consumidos como suplementos dietéticos e podem ser utilizados como fármacos através da extração dos princípios ativos, assim como produzidos quimicamente pela indústria farmacêutica8,19. Atualmente, entre os compostos derivados dos cogumelos, são comercializados diversos produtos, tais como: cogumelo do sol® (Agaricus sylvaticus), Agaricus JUN-17® (Agaricus blazei), Lentinan® (Lentinus edodes), Krestin® (Trametes versicolor), Schizophyllan® (Schizophylum communis), Grifron®Maitake (Grifola frondosa), Reishi® (Ganoderma lucidum), entre outros.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA VERSUS VALOR NUTRITIVO

Determinados tipos de cogumelos são indicados para dietas hipoenergéticas ou como coadjuvantes no tratamento de enfermidades especiais como o câncer. Podem ser consumidos sob as formas desidratada e fresca, diferindo apenas no teor hídrico e na apresentação com conservantes15.
Quimicamente e nutricionalmente, os cogumelos são considerados alimentos saudáveis20, pois apresentam características imprescindíveis para a execução de suas funções. A tabela 1 ilustra a composição nutricional de algumas espécies de cogumelos21, 22.
Os cogumelos possuem teores elevados de carboidratos, fibras, â-glucanas, â-proteoglucanas, heteroglicanas, quitina e peptideoglucanas8. Com base em peso seco, os teores glicídicos variam de 51 a 88%, estando presentes nas cadeias ß-glucanas, nas paredes celulares e nas regiões intracitoplasmáticas15. As fibras dietéticas estão contidas nos cogumelos em proporções que variam de 10 a 50% com base em peso seco e possuem ação física desfavorável na absorção de substâncias tóxicas, nocivas e carcinogênicas. Inúmeras pesquisas demonstram que as fibras estão associadas a uma menor incidência de câncer colorretal, uma vez que aceleram a excreção do bolo alimentar por ação mecânica laxativa, diminuindo o tempo de permanência intestinal15.
Comparando-se o teor protéico da carne bovina com algumas espécies Agaricales, observa-se que a carne bovina possui em torno de 14,8% de proteína em peso seco, ao passo que os fungos Agaricales apresentam 22,5%15. Além do alto teor protéico, os cogumelos são considerados proteína de alto valor biológico, uma vez que possuem todos os aminoácidos indispensáveis23, além de arginina, glutamina, dentre outros24. Segundo Mdachi et al.25, os diferentes tipos de aminoácidos variam em números de seis a 15, dependendo da espécie, tornando-os comparáveis em termos nutritivos com as carnes, os ovos e o leite.
Apesar de apresentarem quantidades reduzidas de gorduras totais, possuem alta porcentagem de ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) e baixos teores de ácidos graxos saturados e colesterol22. Comparando-se com os peixes e as aves, os cogumelos apresentam quantidades bem menores de colesterol e gordura saturada. A gordura bruta dos cogumelos é constituída por diversas classes de lipídeos, incluindo os ácidos graxos livres, mono-ditriglicérides, esteróis, terpenóides e fosfolipídeos, destacando-se a lecitina15.
Os ácidos graxos poliinsaturados são conhecidos pelo importante papel no desenvolvimento e homeostase normais. Estudos epidemiológicos demonstram que populações com maior ingestão de PUFA possuem redução significativa na incidência e mortalidade por câncer quando comparadas com populações com menor ingestão desses nutrientes26.
Os cogumelos possuem quantidades significativas de potássio, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, zinco22, sódio23, niacina, tiamina, riboflavina, biotina, ácido ascórbico e pró-vitaminas A e D (ergosterol)22.
Metais pesados como arsênico, cádmio, mercúrio14, chumbo e cobre podem estar presentes, principalmente quando não houver adequado cuidado nas áreas de cultivo e com a água utilizada15, assim como substâncias radioativas como 137 Cs14.

COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DE ALGUMAS ESPÉCIES DE COGUMELOS

Nutrientes / %
Água 90%
Carboidrato 03-28 %
Proteína 10-4 0%
Lipídeo 02-08 %
Fibras 03-32%
Minerais 08-10%


AÇÃO DAS PRINCIPAIS SUBSTÂNCIAS BIOATIVAS DOS COGUMELOS COM EFEITOS FARMACOLÓGICOS

Evidências científicas têm demonstrado que as â- glucanas exercem atividades antitumorais24; as â-proteoglucanas, atividades antitumoral19, antiviral27 e antitrombocítica28; a lecitina exerce propriedade antitumoral29, antimutagênica30 e hemaglutinizante3; o ergosterol funciona como anticarcinogênico32 e inibidor da angiogênese33; o ácido linoléico como bactericida; os esteróides atuam contra os tumores19; arginina como anticarcinogênica24 e glutamina com efeitos antioxidantes, entre outros 34.
Os cogumelos são capazes de modular a carcinogênese em todos os estágios da doença através de distintos mecanismos14. Porém, os mecanismos de ação dos princípios ativos presentes nos cogumelos Agaricales e em outros fungos medicinais ainda não estão completamente esclarecidos na literatura. Investigadores sugerem que essas ações podem ser atribuídas a componentes específicos destes fungos, destacando-se as glucanas, o ergosterol, as lecitinas e alguns aminoácidos imunomoduladores como a arginina e a glutamina15. A tabela 2 ilustra a atuação dessas substâncias bioativas e o seu provável mecanismo de ação.

ESTUDOS EXPERIMENTAIS COM COGUMELOS AGARICALES E OUTROS FUNGOS MEDICINAIS

Estudos experimentais demonstraram que a administração intraperitoneal de grifolana (Grifola frondosa), em ratos com sarcoma 180 (sólido), nas dosagens de 20, 100 e 200 mg, promoveu inibição tumoral superior a 38 e 99%, respectivamente44.
Extratos solúveis em água de Agaricus blazei testados em ratos Swiss machos com genotoxicidade induzida por ciclofosfamida nas concentrações de 4oC, 21oC e 60oC promoveram inibição significativa da indução de micronúcleo pela ciclofosfamida na medula espinhal e no sangue periférico dos ratos in vivo, demonstrando que a atividade antimutagênica pode contribuir para o efeito anticarcinogênico45.
A administração oral de frações solúveis em água quente do complexo protéico á(1,6)glucana e á(1,4)glucana extraídas de Agaricus blazei em ratos com sarcoma 180 resultou em redução tumoral significativa (P < n =" 43)" n =" 43)." p =" 0,03)," p =" 0,02)," p =" 0,05)," p =" 0,03)," color="#ff0000" size="4">PROVÁVEL MECANISMO DE AÇÃO DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS CONTIDAS NOS COGUMELOS

Glucana
Ação: Inibe o crescimento tumoral, promove a ativação de células Natural Killer (BK), linfócitos T e B células complementares; aumenta o número de macrófagos, monócitos, anticorpos, IL-2, IL-6, IFN-y e TNF-a . (37)
Provável Mecanismo: Ativação e Expansão clonal de células T. A interação de células T com antígenos inicia uma cascata de eventos bioquímicos e expressão genética, induzindo o restante das células T a entrarem no ciclo celular iniciando os processos de proliferação e diferenciação (19)

Ergosterol
Ação: Redução do volume e inibição do crescimento tumoral, em ratos com sarcoma 180, via oral e intraperitoneal, respectivamente, sem efeitos adversos geralmente causados pelos agentes quimioterápicos (33)
Provável Mecanismo: Inibição da neovascularização induzida pelo crescimento tumoral nas células do sarcoma 180 in vitro. O ergosterol (precursor do ergocalciferol) é uma substância antiangiogênica explicando, em parte, o seu efeito antitumoral (33)

Lecitina
Ação: Age contra células: sarcoma 180, tumoral humana, cancerosa colônica humana e do câncer mamário. Inibe o crescimento de células do mastocitoma in vitro e do sarcoma 180 in vivo em ratos (38)
Provável Mecanismo: Propriedade indutora de apoptose nas células tumorais – mecanismo primário contra as neoplasias malignas (38)

Proteo-glucanas
Ação: Aumento significativo da sobrevida de pacientes com câncer nasofaríngeo, esofágico, gástrico, colorretal, pulmonar e mamário de ratos radiados. Melhora da qualidade de vida, alívio dos sintomas em 70 a 97% dos pacientes com câncer gástrico, esofágico, pulmonar, ovariano e cervical (19)
Provável Mecanismo: Estimulação das funções imunológicas, da atividade fagocitária dos macrófagos e melhoria das funções do sistema retículo-endotelial

Arginina
Ação: Inibição do crescimento tumoral (40); redução significativa dos casos de perdas nitrogenadas em pacientes com trauma cirúrgico, via parenteral; redução do tempo de internação hospitalar de pacientes no pós-operatório de cirurgias de grande porte por câncer, via enteral.
Provável Mecanismo: Aumento da atividade das células NK e T Helper. Estímulo das sínteses Il-1, IL-2, IL-6, TNF-a (42). Pode promover aumento da imunidade através da liberação do hormônio de crescimento, estímulo na produção de óxido nítrico hidroxiprolina, citocinas e poliaminas.

Glutamina
Ação: Aumento da função imune e intestinal; redução da bacteremia e dos danos na mucosa associados à quimioterapia, manutenção da integridade intestinal após quimioterapia e radioterapia (43). Maior prevenção do músculo esquelético; melhora do equilíbrio nitrogenado. Nenhuma elevação de citocinas pró-inflamatórias e capacidade antioxidante (glutationa).
Provável Mecanismo: A glutationa é a fonte de energia preferencial à glicose por todas as células de rápida divisão, como os enterócitos e células do sistema imunológico, assim como para o sistema nervoso e como coadjuvante no tratamento de câncer avançado, prolongando a sobrevida e diminuindo o catabolismo debilitante, além de promover uma maior tolerância à quimioterapia.

ENSAIOS CLÍNICOS COM COGUMELOS AGARICALES E OUTROS FUNGOS MEDICINAIS

Em um ensaio clínico randomizado, placebocontrolado e duplo-cego, 20 pacientes com câncer colorretal, em fase pós-operatória, tratados com quimioterapia, foram divididos em dois grupos:
experimental (n = 10) - suplementado com fungo Agaricus sylvaticus, oralmente, duas vezes ao dia (4,08mg/kg/dia) e placebo (n = 10) - apenas amido, oralmente. Todos os pacientes foram acompanhados por um período de três meses. O grupo suplementado com Agaricus sylvaticus apresentou redução dos níveis de colesterol total de 249,60 ± 119,62 para 206,80 ± 24,46 (P = 0,01), fato não observado no grupo placebo. Os níveis de LDL-c reduziram no grupo experimental, porém esta redução não foi estatisticamente significativa. Níveis de HDL e VLDL não alteraram em ambos os grupos. As taxas de triglicerídeos foram maiores no grupo placebo (P = 0,05) quando comparado com o grupo tratado, demonstrando que a suplementação com Agaricus sylvaticus pode beneficiar esses pacientes através da regulação do metabolismo lipídico 52. Os efeitos de lentinana (Lentinus edodes), durante seis meses, foram avaliados em 33 pacientes em vários estágios de câncer gástrico após gastrectomia. Após uma semana, esses pacientes receberam 2 mg de lentinana, quatro vezes ao dia, por dois ou quatro intervalos semanais. Os resultados obtidos foram aumento superior a 50% da produção basal de IL-1 pelos macrófagos em aproximadamente 70% dos pacientes. Este efeito foi mais significativo nos pacientes que receberam lentinana por quatro semanas quando comparado com aqueles que receberam esse tratamento por apenas duas semanas22.
A administração de 3 g/dia de polissacarídeopeptídeo (PSP) extraído do micélio de Coriolus versicolor, por um período de dois meses, em 82 pacientes com carcinoma gástrico tratados com quimioterapia, resultou em aumento significativo (P < n =" 34)" n =" 34)." n =" 8)" n =" 2)" p =" 0,04)." n =" 10)" n =" 10)." n =" 11;" n =" 11)." color="#ff0000" size="4">CONCLUSÃO

Estudos clínicos e experimentais demonstram que a suplementação dietética com cogumelos Agaricales e outros fungos medicinais exerce efeitos nutricionais, medicinais e farmacológicos imprescindíveis, podendo ser utilizada como coadjuvante na terapia contra o câncer. Os mecanismos de ação das substâncias bioativas presentes nos cogumelos ainda não estão completamente esclarecidos na literatura, mas evidências científicas sugerem que essas substâncias são capazes de modular a carcinogênese nos estágios de iniciação, promoção e progressão, promovendo benefícios aos portadores de diversos tipos de câncer, principalmente através da estimulação do sistema imunológico. Estudos controlados e randomizados adicionais são necessários para elucidar detalhadamente os possíveis efeitos adversos, toxicidade e mecanismo de ação dos principais componentes bioativos presentes nos fungos medicinais.

Fonte: Revista Brasileira de Cancerologia 2006; 52(4): 363-371
Link: http://www.inca.gov.br/rbc/n_52/v04/pdf/revisao_literatura1.pdf

Renata Costa Fortes - Professora de Nutrição Humana da Faculdade de Ciências e Educação Sena Aires/GO. Preceptora da Residência em Nutrição Clínica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional pelo Instituto Ponto Crítico de Ensino. Mestranda em Nutrição Humana da Universidade de Brasília.
Maria Rita Carvalho Garbi Novaes - Professora Doutora da Faculdade de Medicina da Escola Superior em Ciências da Saúde/ DF. Professora Orientadora da Pós-Graduação em Nutrição Humana da Universidade de Brasília. Coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar.

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Um comentário:

  1. Oie Lidionete...vcs ainda fazem uso do Cogumelo???
    Qual marca?
    Onde Comprar?

    belcrisguimaraes@hotmail.com

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