terça-feira, 9 de setembro de 2014

2014, 8 º ano do ensino fundamental, mutismo seletivo

O Vitor iniciou sua vida escolar com 5 para 6 anos e desde então continua na mesma escola e sempre foi um bom aluno. Desde os 3 anos de idade que percebemos uma certa inibição para falar com pessoas fora do círculo familiar e esperávamos que a situação se resolvesse quando ingressasse na escola. Mas o problema persistiu e sua professora, juntamente com a coordenação da escola nos chamou para relatar o problema e sugerir que procurássemos ajuda especializada e então encontramos uma psicóloga próximo de casa e as seções iniciaram, mas passaram-se alguns meses e nada de progresso, pois não falava com a professora, nem com os amiguinhos e também nem com a psicóloga.

Éramos assinantes da Revista Veja e fiquei intrigada quando saiu uma reportagem sobre um transtorno denominado "Mutismo Seletivo" e lendo a matéria, identifiquei o Vitor nas características e sintomas. Tirei uma cópia da revista e levei para a psicóloga ver, mas ela disse que não era o caso do Vitor.

As seções continuavam e nada de melhoras e como nossa preocupação só aumentava, decidimos investigar por conta própria. Meu marido marcou uma consulta com um psiquiatra, que também não identificou nada de anormal e disse que tratava-se de uma inibição emocional e que com o tempo resolveria, mas achou por bem fazer um eletroencefalograma.

Quando saiu o resultado do exame, o médico ficou um pouco preocupado, pois havia algumas "alterações" nas ondas cerebrais, uma certa "anormalidade paraxística", que poderia indicar "epilepsia" e imediatamente solicitou um novo exame, desta vez num laboratório de sua confiança. Ficamos muito apreensivos e o resultado se confirmou, mas segundo nos orientou, não era motivo de desespero, pois essa "alteração" não atrapalharia em nada o seu desenvolvimento e com tempo poderia até reverter, mas deveríamos procurar um neurologista para fazer acompanhamento.

E assim fizemos e foi meu marido quem levou o Vitor na primeira consulta com a Dra. Adriana, neuro-pediatra, uma médica que atendeu muito bem e após ouvir meu marido explicar sobre o fato dele não falar com os amiguinhos da escola e nem com a professora, disse que esses "sintomas" não tem qualquer relação com as alterações constatadas no eletroencefalograma... Tratava-se de um problema emocional que se resolveria com o tempo e não havia motivos para preocupação. Disse também que as anormalidades paraxísticas eram benignas e deveria desaparecer com o tempo.

Ouvindo as explicações da médica, meu marido continuava preocupado e então a Dra. Adriana decidiu solicitar uma ressonância magnética para tirar todas as dúvidas e nos tranquilizar e a consulta se encerrou com um pedido de ressonância magnética.

Há 7 anos atrás o exame de Ressonância Magnética não tinha a popularidade de hoje e não era tão fácil conseguir horário, ainda mais em convênios médicos. No nosso convênio da DIX Amico havia somente um local que realizava e ficamos sujeitos à disponibilidade de horário. E assim aconteceu e demorou cerca de 2 meses pra realizarmos o exame, que foi no dia 25/10/2007.

Após alguns dias, recebemos um telefonema do laboratório informando que o exame deveria ser repetido. Mais uma vez tivemos dificuldade de agendamento e no dia marcado, fomos encaminhados para uma "entrevista" com o médico radiologista, que fez várias perguntas estranhas, como "ele tem vômito pela manhã", "tem dores de cabeça", "sente tontura ou dificuldade de equilíbrio"

Sou bastante ansiosa e confesso que fiquei preocupada com as perguntas do médico, que não entrou em detalhes e apenas informou que havia aparecido nos exames uma "alteração" na parte de trás da cabeça... O pedido da ressonância era para verificar a "anormalidade paroxística" na parte frontal da cabeça e agora aparece uma alteração na parte de trás??

A segunda ressonância magnética foi realizada e o resultado deveria ficar pronto na semana seguinte, 7 dias depois, mas no dia seguinte recebi um telefonema do laboratório, informando que o exame já estava pronto e que poderíamos buscar naquele mesmo dia, pois seria importante mostrar à médica o quanto antes.

Era uma sexta-feira à tarde e liguei para o meu marido buscar o exame e foi o que ele fez, mas ao procurar a médica para mostrar o exame, descobriu que  acabara de ir embora!!

E agora, ficaríamos todo o final de semana vivendo aquela ansiedade?? Ele me ligou e eu disse para ele abrir o exame e ao ler o laudo, claro que não entendeu nada, mas achou muito estranho pois apareciam algumas medidas...  Havia também uns termos estranhos, como "lesão expansiva", "foco hemorrágico", "astrocitoma".

Na mesma hora entrei no bendito google e ao descobrir o significado daqueles termos, nosso mundo ruiu, e ficamos sem chão...

Foram os piores momentos das nossa vidas e a partir daquele momento nossa luta se iniciou. Desde o início, ouvíamos dos médicos que o prognóstico para tumores no tronco cerebral não são bons e quase nunca é possível cirurgia, devido a localizada delicada.

Iniciou-se uma imensa corrente de orações, por parte dos amigos, familiares e gente que nem conhecíamos e sentimos que apesar de estarmos em meio a uma grande tempestade, Deus estava à frente de tudo.

O desenrolar desta jornada está aqui neste blog e com a graça de Deus, após quase 7 anos do início da nossa luta, nosso filho Vitor está bem, e apesar de algumas limitações físicas mínimas, leva uma vida normal, ativa e feliz. É um garoto "cuca fresca", bem humorado, tendo sempre um sorriso nos lábios.

Neste ano de 2014 cursa o 8º ano do ensino fundamental, sendo um bom aluno e sua matéria preferida é matemática. Apesar de interagir e se relacionar bem com os amigos, o problema do Mutismo Seletivo ainda persiste... Segue sendo acompanhado mensalmente no IPQ do Hospital das Clínicas de São Paulo e segundo a Dra. Lílian e Renata que o atendem, evoluiu bastante nos últimos anos e o prognóstico é super favorável. Tenho muita fé que continuará progredindo e muito em breve esse transtorno ficará no passado.

Abaixo, um pouquinho do Vitor, que copiei de um questionário que respondeu no início do ano:

Melhor filme que já assistiu: Jogos Vorazes
O que o deixa muito feliz: a cachorra Lana
Maior preocupação: a família morrer
Cor preferida: amarelo
Pessoa pública que mais admira: Jesus
Passatempo preferido: Computador
Comida que menos gosta: Espinafre
Sua melhor característica: alegria
Melhor livro que já leu: A grande Esperança
O maior problema do país: os políticos
Profissão que admira: veterinário
Melhor cidade do país: Rio de Janeiro
Onde gosta de passear: Shopping
História bíblica preferida: Davi
Segredo para ser um bom amigo: ajudar em todas as horas
Onde gostaria de passar as férias: Havaí
Assunto que não gosta de falar: sobre algo errado que fez
Melhor palavra para definir Deus: Poderoso
O que mais gosta na igreja: pregação
Se fosse prefeito, o que mudaria: desigualdade
Se fosse presidente, o que mudaria: as pessoas??
Segredo para ser um bom aluno: estudar
Lugar mais bonito que já visitou: Cataratas do Niagara

Vitor com seus amigos do 8º ano


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